Socorro Lima Dantas

 

 

Aquela menina tinha o hobby de colecionar borboletas. Todos os dias ela acordava pensando na hora do seu encontro com as suas amiguinhas preferidas.

Todos os dias, ao cair da tarde, aquela menina escapava dos olhos de sua mãe e ia ao encontro do seu desejo: procurar borboletas.

Debaixo do braço, carregava o seu “caderninho de borboletas”, onde reunia uma de cada cor, cuidadosamente colocadas no meio de cada folha, com as asas abertas.

Naquele dia, diante do seu jardim, passeando entre as flores perfumadas, ficou maravilhada ao avistar as mais lindas borboletas que os seus olhos já tinham divisado.  Era o cenário perfeito para a sua expedição, pois ela não imaginava encontrar tanta beleza naquela tarde.

Fascinada, diante do encanto de tantas asas coloridas a voar para lá e para cá, sentou-se no chão, parou o olhar para visualizar aquele cenário que lhe parecia um conto de fadas. Foi quando, sem esperar, em suas mãos pousou  uma linda borboleta vermelha. Era tudo o que ela queria encontrar naquele dia para a sua coleção. A menina não teve dúvidas: fixou seu olhar na borboleta, fechou os dedos entre as suas asas, segurou firme, abriu o caderninho, e com muito cuidado encontrou a página para colocar a sua borboleta. A mais bonita que já tinha encontrado em toda a sua aventura.

Antes de fechar a folha do seu caderno, saudou com alegria a sua borboleta preferida: “Olá borboleta linda, eu sou Luana, mas pode me chamar de Lua, como a minha avó me chama desde que eu nasci, porque cheguei a sua vida numa linda noite de lua; A partir de agora, você fará parte da minha vida e estará sempre em meus sonhos.”.

Na verdade, aquela menina imaginava que, tendo as borboletas entre as folhas do seu “caderninho de borboletas” – seu companheiro inseparável, todas as noites elas sairiam  do caderninho e voariam em seu quarto para lhe fazer companhia e fazer parte dos seus sonhos.

Naquela noite especial, antes de deitar, ela foi até seu caderninho para fitar mais uma vez a sua nova borboleta que conseguiu conquistar o seu coração. Ela estava lá ! Pronto, já poderia ir dormir e sonhar.

Vestiu  a sua camisola de sua cor predileta, de um vermelho esvoaçante, deitou a cabeça no travesseiro e adormeceu sorrindo. O sorriso em seus lábios permaneceu por muito  tempo, o suficiente para ela sentir as borboletas voarem por todo o seu quarto, e as vezes em círculo, próximo ao seu rosto. A sua borboleta preferida ficou o tempo todo ao seu lado,  pousada entre suas cobertas, batendo as asas de felicidade.

O que importava àquela menina era ser feliz e viver a sua felicidade a todo o custo. E como a sua felicidade estava em sonhar com as suas borboletas, então ela vivia intensamente aquele sonho.

 

 

 

Socorro Lima Dantas

 

 

Naquele dia tão especial, a menina despertou logo cedo e cantarolando, sentou-se diante de um espelho, começou a se arrumar para viver o seu grande dia. Vestiu a sua mais nova roupa da cor vermelha, sua cor predileta, adornada com laços brilhantes, fitou mais uma vez a sua silhueta diante daquele mágico cristal, que lhe permitia descobrir a chama de sua felicidade. Afinal, naquele dia, ela iria realizar o sonho que tanto aspirava: dançar a tão esperada valsa, em comemoração ao seu aniversário de 15 anos.

Aquela menina peralta e tão cheia de vida era merecedora daquela dádiva que estaria a lhe acontecer.  As horas foram passando, sem que a menina percebesse, estava estática com a beleza que sentia em sua silhueta. Em certo momento, arregalou os olhos para tentar descobrir se estava sonhando ou se aqueles planos iriam realmente acontecer em sua vida.

Em certo momento, ficou pensativa, fitando o nada. E, tal qual um filme em câmara lenta reviveu toda a sua história que ainda lembrava, desde pequena, residia em um lugar simples, cercado de jardins, borboletas e pássaros, tempo vivido em puro fascínio e energia.

Mas, naquele dia tão especial, aquela menina sentia uma saudade apertar o peito. Saudade do seu melhor amigo, que um dia foi embora de sua vida para sempre, sem uma despedida, e nem ao menos a palavra adeus ou um até breve.... Lembranças deste amigo, naquela data tão especial para ela, fizeram-lhe o peito apertar e os olhos se encherem de lágrimas, pois exatamente naquele dia o seu amigo não estaria ao seu lado para celebrar juntinho a ela aquele grande dia.

Por um momento, pensou em desistir, mas repentinamente, juntou as energias que emanava em seu coração, encorajou-se, e decidiu seguir em frente à realização de seu sonho. Ergueu o rosto e resolveu terminar de se preparar para a aquela grande festa, calçou os sapatos de saltinhos infanto-juvenis e sentiu a presença de sua mãe tocando-lhe a cabeça para colocar um adorno de Cinderela.

Ao som de sua valsa predileta, linda, formosa, e cheia de emoção, a menina começou a descer as escadas que separavam o seu quarto do salão, de forma que sentia a suavidade em seus pés, ao tocar o chão em sintonia com a orquestra. O seu olhar brilhante enxergava cada arranjo do salão, cheio de rosas vermelhas e luzes coloridas que piscavam continuamente, e imensos laços dourados contornando todo o seu recinto.  Seguiu contemplando aquele ambiente de sonhos, repleto de pessoas que a admiravam e a amavam. Aquilo era tudo um sonho para ela. Ou seria verdade? Na dúvida de sua alma, preferiu acreditar numa verdade absoluta: ouvir e dançar todas as valsas que a orquestra se propunha a tocar.  Dançou uma por uma. Foram horas mágicas que aquela menina viveu.

Depois de realizar todos os seus sonhos, ela flutuou até o palco e convidou todos os amigos presentes àquela festa, que tantas emoções com ela dividiram e falou pausadamente da realização daquela aspiração vivida naquele dia, agradeceu a todos, dizendo-lhes no final,  que aqueles momentos foram únicos e nunca mais iria lhe acontecer, pois não poderia mais continuar dançando outras valsas, porque seu parceiro de tantos bailados não estava presente naquela festa, pessoa tão importante em sua vida e que lhe ensinou todos os passos para dançar, mesmo tendo cometido alguns erros nos ensaios da vida, quando havia marchado em sentido contrário, pisando o pé de seu parceiro, afirmando que, em outros momentos, havia uma sintonia tão envolvente, que ritmava os passos de uma vida em eterno compasso. 

A orquestra seguiu tocando a sua canção, aquela que o seu parceiro e melhor amigo lhe havia ensinado os primeiros passos, foi então que a menina ensinou aos amigos e convidados especiais, os passos que antes aprendera, para que todos bailassem da forma mais sonhadora, a mais vibrante de todas.

Assim, o salão foi tomado por lindas garotas debutantes com seus pares perfeitos, que as tomavam em seus braços, para dançarem a valsa dos seus sonhos, pois assim, estaria dividindo aqueles momentos com todos. Na verdade, aquele era o seu sonho, pois somente desta forma, ela teria a certeza de que, aqueles momentos tão idealizados não teria sido apenas um sonho, e sim, uma realidade vivida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mid Lago dos Cisnes.Orquestrada

 

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Publicado: 13.01.2007  Última atualização:  11.01.2010

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