Adriano Augusto da Costa Filho
Pensava eu à noite, o que faria,
Contava o que passei naquele dia.
Sabia de cor sobre minhas aflições
Como aproveitar todas as lições !
Mas, já com nervos gastos e velhos,
Os olhos turvos e com tons vermelhos.
Seriam então moléstias da alma,
Que só seriam superadas com a calma ? !
Na verdade não sei a doença minha,
De onde esse mal ela provinha.
Pensava então centenas de desgraças
Como alguém saboreando vinho em taças !
E de repente uma luz vinda do infinito,
Como se alguém tivesse dado um grito.
Senti renascer um viés de bondade
Como se tivesse acabado uma tempestade !
Ressurgindo no espaço como uma lança,
Entrou em minha alma um raio de esperança.
Como um horizonte ao largo dum oceano
E vagalhões entrando no coração humano !
Aquelas ilusões maldosas e sombrias,
Romperam-se e expulsaram as melancolias.
Como as arvores lançam suas folhagens
E como os jardineiros limpam nas lavagens !
O raio de luz maravilhoso como uma lança,
Jogou em minha alma um louvor de esperança.
Nesse instante o coração pôs-se a chorar
E o meu cérebro começou a imaginar !
Essa luz divina que a graça infinita me deu,
Fez com que o meu ser não feneceu.
E aquele alento de sonhos que conhecia
Deu-me um ardor imenso a fazer poesia !
A visão que o sonho me enviou
Uma dama da arte me entregou.
E toda poesia que por obra fizesse
Enfeitada da Socorro ela viesse !
ADRIANO AUGUSTO DA COSTA FILHO
Casa do Poeta de São Paulo
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