É madrugada,
aconchegada pela suave brisa da ilusão,
traduzo o meu silêncio
com palavras sofridas,
surgidas pelo sopro da tua respiração.
Pensamento embaralhado,
dos segredos por nós vivenciados,
semeados pelo tempo outrora passado,
obrigam-me a escrever de um amor ainda silenciado.
Com o dedo indicador, vou compondo...
Concluindo quase a uma frase inteira !
São palavras loucas,
escritas com os olhos vendados,
procurando o segredo
entre a versão verdadeira e a ilusão primeira.
São tentativas repetidas,
palavras intermináveis...
Arrisco ler a escrita primeira,
Não encontro...
Pulo para a derradeira...
Não há tempo sequer de ler a última citação!
O vento encarregou-se de apagar uma história verdadeira!
Nesta imensidão de areias brancas,
diante deste oceano azul, aspirações contidas,
colhidas neste mar de silêncio e pensamento,
carregaram tão rapidamente meus sentimentos:
As mais doces palavras sofridas!


As mais doces palavras...
Yeda Soares Chiviacowsky
Na imensidão da noite, só tenho o luar...
Também me entrego ao silêncio,
procurando em cada estrela
o brilho do teu olhar.
Pergunto ao meu coração:
Por quê? Por quê? Por quê?
Um amor tão verdadeiro não pode acabar assim...
Palavras soltas ao vento... Silêncios sem fundamento...
E aquela vontade imensa de mais uma vez te abraçar.
Lembranças, doces lembranças,
do tempo em que juntos sonhamos,
do teu corpo junto ao meu, tendo por teto o luar...
Peço ao vento que te encontre, que afague os cabelos teus,
que leve ao teu coração, lembrança dos beijos meus.
E que as palavras não ditas, que te fizeram sonhar
Possam agora ser ouvidas, nas brancas ondas do mar...
Doces palavras de amor, perdidas, soltas ao vento,
Repetindo, muitas vezes: Nunca deixei de te amar!
Na clara luz do luar, eu continuo a sonhar,
procurando nas estrelas o brilho do teu olhar...


