Dentro de mim, há um dilema,
Que me alaga de lembranças
Recolhidas na memória,
Do tempo que não quer prosseguir...
Ah, essência tão presente,
mas tão minha, que não a deixo escapar !
Já nem sei se devo estagnar o tempo
Ou se devo deixar-lo escoar livremente,
Sem ter que esconder o sentimento.
Mas as nuances da fantasia me prendem,
E a todo o momento, vou enchendo as linhas vazias
que necessitam de animação.
Vou rabiscando aquilo que está preso dentro do peito,
Neste momento, sinto que a memória
não quer abafar o que passou.
Ah, que dilema é este que invade a alma ?
Uma parte de mim quer parar
A outra, insiste em continuar a falar e falar...
Mas ninguém me ouve ! por que ?
Eu realmente desejo que me ouçam ?
Não sei por que este embaraço,
Estas interrogações constantes
Que Insistem em fisgar o peito !
Mas a peça da vida que ficou prá traz
Teima em seguir, volto a pensar,
Deverei continuar ?
Deixar que os olhos sequem,
ou as lágrimas escorram pelo rosto
em demasia, como outrora ?
consulto a minha estrela, companheira das noites vazias,
mas o seu brilho hoje, está ofuscante,
e não me permite continuar.
Desisto de tudo, vou calar a alma em sofrimento,
porque o dilema não afasta os espaços infinitos.