Rose Lima
 
 
Não desamparem seus pais,
 ou alguém que o criou com amor,
Que tenha sido da forma mais simples
ou da mais abastada...
Não importa !
 Um dia eles foram jovens,
esforçaram-se para lhe criar com dificuldades...
Hoje, você é tudo aquilo
que eles puderam fazer por você!
 
 
Não os jogue nos asilos, ao acaso,
como se fossem meros  desconhecidos ...
 
 
Conheci a história de alguém,
que antes de fazer a grande VIAGEM
ao encontro do Criador,
em seus últimos dias, deixou um recado
 que um dia alguém iria encontrar...
em uma gaveta,
junto aos seus poucos pertences,
um lamento de DOR.
 
 
Eram anotações, 
sobre a dor de alguém
que sentia muita solidão e tristeza,
por ter sido abandonada pela família,
num lar para idosos...
 
 
Essa criatura,
dotada de certa cultura e inteligência,
 expressava-se bem,
deixou um recado
para ser transmitido aos filhos,
de pais idosos,
 para nunca abandoná-los,
em um lugar estranho,
 que nunca tinha sido seu lar...
 
 
Indagava para si mesma:
"Onde andarão meus filhos?
Aquelas crianças sorridentes que embalei
em meu colo,
alimentei com meu leite
e cuidei com tanto desvelo, onde estarão?
Estarão tão ocupadas, talvez, que não
possam visitar-me,
ao menos para dizer-me um
olá, mamãe?
 

Ah, Se eles soubessem como é triste
sentir a dor do abandono !
A mais deprimente solidão...
Se ao menos eu pudesse andar,
mas dependo das mãos generosas dessas
moças que me levam todos os dias para
tomar sol no jardim...
Jardim que já conheço como a palma
da minha mão.
Os anos passam e meus filhos não
entram por aquela porta, de braços
abertos, para me envolver com carinho...
 
 
Os dias passam...
e com eles, a esperança se esvai...
No começo, a esperança alimentava-me,
ou eu a alimentava... não sei...
Mas, agora...
como esquecer que fui esquecida?
Como engolir esse nó, que teima em ficar
em minha garganta, dia após dia?
 

Todas as lágrimas que chorei não foram
suficientes para desfazê-lo.
Sinto que o crepúsculo desta
existência se aproxima...
Queria saber de meus filhos,
de meus netos !
Será que, pelo menos, lembram-se de mim?
A esperança, agora, parece estar
atrelada aos minutos,
que a arrastam sem misericórdia...
para longe de mim !
Às vezes, em meus sonhos,
vejo um lindo jardim...
É um jardim diferente,
que transcende os muros deste albergue
 e abre-se em caminhos floridos,
 que levam a outra realidade,
onde braços afetuosos me esperam,
com amor e alegria.
Mas, quando eu acordo, é a minha
realidade que eu enxergo...
que eu vivo... que eu sinto...


 
Um dia alguém me disse que a
vida não se acaba num túmulo
escuro e silencioso...
Que ela continua após a morte,
de uma outra forma...
Mas com certeza a minha matéria,
a minha mente, o meu eu desta
vida que vivo agora, com o nome que carrego,
nunca mais existirá!
E quando a morte chegar,
só restará à saudade que com o
passar do tempo se ameniza...

(se é que alguém vai sentir saudade
de mim, já que não sentem enquanto
ainda estou viva neste asilo)
 
 
Sinto que a minha hora está chegando...
Depois que eu partir, gostaria que
alguém encontrasse essas minhas
anotações e as divulgasse.
E que elas pudessem tocar os corações
dos filhos que internam seus pais em
asilos, e jamais os visitam...
Que eles possam saber um pouco sobre
a dor de alguém que sente o que é
ser abandonado..."
 
 
(Texto encontrado de uma desconhecida
 que não deixou seu nome na mensagem)
 
 
Que a Paz e a Luz,
esteja presente no coração desta mãe,
abençoando seus filhos que a abandonou,
 perdoando-os pelos  momentos passados,
que hoje, a Luz e o Amor
seja a presença latente em seu coração,
apagando todo o sofrimento vivido
 em seus últimos dias, na Terra!

 
Muita Paz e Luz!
 
 
Recife/PE

 

 

 

 

 

 

Mid_Tears in heaven. Eric Clapton

 

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Publicado: 13.01.2007  Última atualização:  27.06.2007

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